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A Sadia e a Perdigão confirmaram nesta terça-feira a fusão das duas empresas, que criará a maior processadora de carne de frango do mundo, a décima maior companhia do setor de alimentos das Américas e a segunda maior do Brasil (atrás da JBS-Friboi). Apelidada de "Sadigão", a nova empresa oficialmente se chamará Brasil Foods e terá sede em Itajaí (SC), cidade que abriga o porto por onde é exportada boa parte da produção das companhias.
O acordo já foi aprovado pelos conselhos de administração das duas empresas, mas ainda depende do aval dos acionistas. Os presidentes dos conselhos da
Sadia, Luiz Fernando Furlan, e da Perdigão, Nildemar Secches, anunciaram os detalhes do negócio em São Paulo.
A Perdigão terá 68% da nova companhia e a Sadia, os outros 32%. As ações da Perdigão serão trocadas por papéis da Brasil Foods na proporção de 1 para 1. Cada ação dos controladores da
Sadia será trocada por 0,166247 ação da Brasil Foods. Já os papéis em circulação no mercado vão receber 80% desse valor. Cada papel ordinário (SDIA3) ou preferencial (SDIA4) da
Sadia. será trocado por 0,132998 da Brasil Foods.
Ironicamente, a dívida ajudou
A fusão é fruto de uma longa negociação entre as duas empresas. Desde setembro do ano passado, quando a Sadia teve perdas bilionárias com derivativos de câmbio, a companhia buscar formas de levantar capital. Vários investidores foram procurados e muitas opções foram avaliadas até que se chegasse à conclusão que a fusão com a Perdigão era a melhor saída.
Somente a fusão, no entanto, não resolve o problema de caixa da Sadia. A empresa continua com uma pesada dívida de 8 bilhões de reais. Nos próximos 12 meses vencem 4,27 bilhões de reais em débitos. Para arcar com essas obrigações, a Brasil Foods planeja fazer um aumento de capital de 4 bilhões de reais.
Os atuais acionistas da Sadia e da Perdigão terão direito de preferência para a aquisição desses novos papéis. O mercado também espera que o BNDES compre parte das ações, garantindo o sucesso da operação. No comunicado divulgado ao mercado, porém, isso não foi confirmado.
Mais um gigante brasileiro
Juntas as duas empresas serão líderes em diversos mercados de alimentos, com destaque para frango, embutidos, pizzas congeladas, massas prontas e margarinas. O negócio precisará ser aprovado pelo Cade e também por órgãos de defesa da concorrência de outros países.
O anúncio da fusão para os consumidores será feito em uma grande campanha publicitária. A atriz Marieta Severo, a dona-de-casa Nenê da série global "A Grande Família", foi contratada para divulgar o negócio para a população brasileira.
Luiz Inácio Lula da Silva já foi avisado sobre a fusão na semana passada, em um encontro com Furlan e Secches que não foi divulgado na agenda oficial do presidente.
Controle
A Sadia terá o direito de indicar até três dos 11 membros do conselho de administração da Brasil Foods. O conselho terá dois co-presidentes, sendo que um deles será indicado pela Sadia e terá mandato até 2011. Até que a fusão seja concretizada, a Sadia também alterará seu conselho para abrigar os mesmos 11 membros, além de um 12º conselheiro que será indicado pelos detentores de ações preferenciais (sem direito a voto).
Um dos entraves ao acordo, que adiou o anúncio do negócio, era o destino do banco que estava sendo montado pela Sadia. A Perdigão não queria ficar com o banco Concórdia nem com a corretora Concórdia e alegava que seu estatuto não a permitia atuar como instituição financeira. No final, parte dos atuais controladores da Sadia concordou em continuar com o banco.As ações da Brasil Foods serão negociadas no Novo Mercado da BM&FBovespa, o mesmo nível de governança corporativa dos atuais papéis da Perdigão. Os ADRs (American Depositary Receipts, que equivalem a ações negociadas nos Estados Unidos) da Sadia serão convertidos em ADRs da Perdigão na mesma proporção estabelecida para os papéis em circulação no Brasil.